sábado, 9 de junho de 2012

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A CANÇÃO DE MAHAMUDRA

A CANÇÃO DE MAHAMUDRA
Mahamudra está para além das palavras e símbolos,
mas para ti, Naropa, sério e leal,
isto deve ser dito:

O Vácuo não precisa de confiança,
Mahamudra repousa sobre nada.
Sem fazer esforço,
mas permanecendo desprendido e natural,
é possível quebrar o jugo,
ganhando, assim, a Libertação.

Se alguém nada vê quando contempla o espaço,
se com a mente alguém observa a mente,
esse alguém destrói distinções
e alcança o estado de Buddha.

As nuvens que vagueiam pelo céu
não têm raízes, nem lar,
também assim são os pensamentos distintivos
vagando através da mente.

Desde que a mente-eu é vista,
cessa a discriminação.

Formas e cores formam-se no espaço,
mas o espaço não é tingido nem pelo branco, nem pelo preto.
Da mente-eu todas as coisas emergem,
e a mente não é manchada nem por virtude, nem por vícios.

As trevas dos tempos
não podem amortalhar o sol fulgente;
os longos kalpas do samsara
jamais podem esconder a luz brilhante da Mente.

Embora palavras sejam ditas para explicar o Vácuo,
o Vácuo, tal como é, jamais pode ser explicado.
Embora digamos que a Mente é uma luz brilhante,
ela está para além de todas as palavras e símbolos.

Embora a Mente seja vazia em sua essência,
contém e abarca todas as coisas.

Nada faças com o corpo, mas relaxa;
fecha com firmeza a boca e permanece silente;
esvazia a mente e em nada penses.

Como um bambu oco, repousa bem teu corpo.
Sem dar nem tomar, repousa tua mente.
Mahamudra é como a mente que a nada se prende.
Assim praticando alcançarás, em tempo, o estado de Buddha.

A prática do do mantra e do paramita,
a instrução em sutras e preceitos,
o ensino das escolas e das escrituras,
não levarão à percepção da Verdade Inata.

Porque, se a mente, quando tomada por algum desejo,
procura encontrar um objetivo,
apenas oculta a Luz.

Aquele que observa os preceito tântricos, ainda discrimina,
trai o espírito de samaya.

Cessa toda atividade, abandona todos os desejos,
deixa que os pensamentos subam e desçam,
coisa que eles farão, como ondas no oceano.

Aquele que nunca prejudica o não-perdurável,
nem o princípio da não-distinção,
defende os preceitos tântricos.

O que abandona o desejo insaciável
e não se prende a isto, nem àquilo
percebe o significado real dado nas escrituras.

Em Mahamudra todos os pecados são consumidos;
em Mahamudra está a libertação
dos cárceres desse mundo.

Esse é o supremo archote do Dharma.

Os que não crêem nisso são insensatos,
para sempre chafurdados em sofrimento e tristeza.

Se alguém quer lutar pela libertação,
Precisa confiar num Guru.

Quando a tua mente recebe a bênção dele
A emancipação está próxima.

Ai! Todas as coisas deste mundo são sem sentido,
Não passam de sementes de dor.

Ensinamentos pequenos levam a ações ---
Só se devem seguir os Grandes Ensinamentos.

Transcender a dualidade é visão soberana.
Dominar abstrações é prática régia.
A trilha da não-prática é o caminho de todos os Buddhas.
Quem pisa essa trilha alcança o estado de Buddha.

Transitório é este mundo;
como fantasmas e sonhos, ele não tem substância alguma.
Renuncia a ele, abandona teus parentes,
corta os laços da luxúria e do ódio,
e medita em bosques e montanhas.

Se, sem esforço,
permaneceres desprendidamente em estado natural,
logo Mahamudra conseguirás,
e obterás a não-obtenção.

Corta a raiz das árvores e as folhas murcharão;
corta a raiz da tua mente e samsara tomba.

A luz de qualquer lâmpada dissipa, num momento,
as trevas de longos kalpas;
a luz forte da mente, num simples lampejo,
queimará o véu da ignorância.

Quem quer que se agarre à mente
não vê a verdade que está além da mente.

Quem quer que lute para praticar o Dharma,
não encontra a verdade que está para além da prática,

A fim de saber o que há além da mente e da prática,
é preciso cortar completamente a raiz da mente,
e ficar despido.

Assim, deves afastar-te de todas as distinções
e permanecer tranqüilo.

Não devemos dar nem receber,
mas permanecer natural, porque Mahamudra
está para além de toda aceitação e rejeição.
Já que alaya não é nascida,
ninguém pode obstruí-la ou manchá-la;

conservando-se na região não-nascida
toda aparência se dissolverá em Dharmata
e o egoísmo e o orgulho se desvanecerão em nada.

A suprema compreensão
transcende tudo isto e tudo aquilo.

A suprema ação
contém grande produtividade sem apego.

A suprema realização
é compreender a imanência sem desejo.

De início, o yogui sente que sua mente
se está despencando como uma cascata;
a meio curso, como o Ganga,
ela flui, lenta e suavemente;
ao fim, é um grande, um vasto oceano,
onde as luzes da mãe e do filho fundem-se numa só.