Há décadas que o casal de professores Roque Severino
(Lama Zopa Norbu) e Ângela Soci se dedica com esmero ao Tai Chi Chuan,
arte marcial chinesa que virou “febre” no Ocidente pelo seu comprovado
valor terapêutico. Agora, depois de muitos anos como fiéis
representantes da Família Yang (uma das mais tradicionais em Tai Chi
Chuan dentro e fora da China) no Brasil e em toda a América do Sul, eles
serão formalmente recebidos como discípulos dos mestres Yang Zhenduo e
Yang Jun (atual detentor da linhagem).
A cerimônia ocorrerá em
agosto, na China, e terá como testemunha caravanas de praticantes de Tai
Chi Chuan (estilo Yang) de todo o mundo, que participam de uma espécie
de torneio (não competitivo) na terra dos fundadores desta arte marcial
milenar, a região de Taiyuan. Além dos professores Roque e Ângela, que
representam o continente sul-americano, outros sete discípulos receberão
a honraria.
Para o professor Roque Severino, que juntamente
com a professora Ângela esteve recentemente em novo encontro com o
mestre Yang Jun, em Seattle – EUA, a formalização do discipulado era
algo que eles sempre aspiravam, uma oportunidade para receber os
ensinamentos preciosos sobre o discipulado do Tai Chi Chuan.
Missão
O professor Roque, como é carinhosamente chamado por seus alunos e
discípulos, disse que na realidade não vê o ensino do Tai Chi Chuan como
uma carreira, e sim como uma missão ou um apostolado. “O Tai Chi Chuan
não é uma profissão e sim um sistema integral de saúde mental, emocional
e física, além de ser um caminho profundamente espiritual de
autoconhecimento”, diz o professor, para emendar: “Então sermos
escolhidos como discípulos é tanto para a profa. Ângela como para a
minha pessoa uma forma de confirmação de que sempre estivemos no caminho
certo, já que todas as nossas ideias e todo o nosso trabalho durante
todas estas décadas, veio ao encontro da aspiração da Família Yang”.
Professor Roque faz questão de lembrar uma frase do mestre chinês
Confúcio, que fala que “quando duas pessoas estão ligadas por um vínculo
espiritual muito forte, nem o tempo, nem à distância, nem correntes de
bronze conseguem separá-las”.
Compromisso
Sobre o grande compromisso que os professores já têm com o Tai Chi e
com a família Yang, e o que isso irá mudar a partir desta cerimônia,
Roque Severino fala que agora haverá ainda mais trabalho, mais
dedicação, e mais compromisso ético e moral com a Família. “Também
haverá mais conhecimento e ao mesmo tempo mais dedicação aos nossos
alunos. Ou seja, eles [alunos] também participam de todo este movimento,
já que eles podem estar certos de que não estão na frente de
professores que lhe estão ensinando algo aprendido de vídeos, ou algo
originado de uma interpretação própria”, explica o professor, para
alertar que este é o maior problema atual do ensino da arte. “Muitos
professores ou instrutores nunca tiveram acesso a nenhuma fonte, porém
eles já se auto-intitulam ‘mestres, ou grão mestres’, outros tiram fotos
ao lado de mestres chineses e se dizem ‘discípulos’ sem saber que o
discípulo recebe uma certificação por escrito onde toda a comunidade
chinesa reconhece a sua autenticidade”, alerta Roque Severino, ao dizer
que quem pode outorgar um título de discipulado é um mestre autêntico
que representa uma linhagem autêntica.
Linhagem
Sobre a importância de os ensinamentos de uma arte milenar como o Tai
Chi Chuan permanecer sendo repassados de mestre para discípulo, o
professor Roque diz que a linhagem representa a transmissão pura que tem
como origem o seu criador. “Temos que entender que a China sofreu
inúmeras mudanças profundas, e o ensino do Tai Chi Chuan foi levado às
praças públicas com o intuito de beneficiar o povo chinês como um todo.
Paralelamente a isso os mestres mantiveram o ensino ‘a portas fechadas’
ou ‘dentro de casa’ para aqueles que realmente queriam se aprofundar nos
mistérios e nos significados mais profundos da arte”, ensina Roque,
explicado que é nesses casos em que entra o discipulado, ou seja, aquele
que recebe “dentro de casa” os ensinamentos esotéricos da arte.
Em relação aos ensinamentos que são passados no Brasil, tanto pelo
professor Roque quanto pela professora Ângela, permanecerá com grande
rigor de aprofundamento, e a técnica será cada vez mais exigente para
com os aprendizes de instrutores. “Já em relação aos princípios
espirituais, estou trabalhando num novo manual onde apresento a estreita
relação do Tai Chi Chuan com os ensinamentos psicológicos de Buda”,
fala Roque Severino, ao adiantar que o mestre Tibetano de Dharma, Kyabje
Tenga Rimpoche – a quem o professor Roque/Lama Zopa Norbu mantém
estreita relação - sempre treinou Tai Chi Chuan. “Em 2013 virá nos
visitar um mestre Budista para que realizemos um retiro em conjunto de
Dharma e Tai Chi”, revelou Roque.
“Queridinho” da mídia
Ultimamente o Tai Chi Chuan vendo sendo alvo de várias publicações, por
ter excelente resultados como agente que previne doenças. Apesar desse
“boom” da arte marcial, o professor Roque diz que mesmo a Sociedade
Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental vir batalhando desde
1978, o Brasil ainda não conhece todos os benefícios que o Tai Chi Chuan
oferece à saúde, “porém estamos realizando inúmeras pesquisas
científicas em diversos hospitais paulistas que em breve estarão
mostrando no mundo acadêmico os benefícios da arte”, diz. Roque destaca
que em 2010 veio o primeiro prêmio da Revista Einstein - pertencente ao
Hospital Albert Einstein – “onde foi publicada a nossa pesquisa
científica sobre os benefícios do Tai Chi Chuan para prevenir o Mal de
Alzheimer”.
Segurança
Com os professores Roque Severino e Ângela Soci, fica a certeza de que,
no Brasil, há uma fonte de ensino extremamente confiável. Eles são
verdadeiros guardiões e difusores deste grande tesouro da Humanidade que
é o Tai Chi Chuan.
SERVIÇO Práticas regulares e cursos de formação de instrutores
Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan –
www.sbtcc.org.br