domingo, 26 de agosto de 2012


Budismo em Palmas - Tocantins (informações: 63 8112-9265 / institutomaitri@gmail.com )


A Teoria do Nada e o Conceito Budista Kuu




A TEORIA DO NADA


A visão científica


De que é constituído o Universo? Esta é, muito provavelmente, uma das primeiras perguntas que o homem fez. A primeira é, sem dúvida, sobre a origem do Universo. Não há cultura que não tenha tentado dar resposta a essas indagações. Os cientistas procuram elaborar sofisticadas teorias ou comprovações experimentais para explicar a natureza do cosmo. Para o astrofísico Hubert Reeves, nem a ciência sabe como surgiu o Universo. “Ela não sabe se o Universo teve uma origem.” A grande explosão (Big Bang, em inglês) é só uma metáfora sobre o estado do cosmo há cerca de vinte bilhões de anos. 
O questionamento sobre a constituição do Universo sempre fez parte do homem. Porém, na verdade, nem mesmo com o estudo dos átomos chegou-se a uma resposta completa. No início do século passado, o que se dizia é que o Universo era todo formado por átomos que, por sua vez, eram constituídos de prótons, elétrons e nêutrons. Mas hoje sabe-se que os prótons e nêutrons são formados por outras partículas, denominadas quarks e glúons, o que conduz à conclusão de que a matéria é formada por elétrons, quarks e glúons, mas essa conclusão não cobre tudo. A luz faz parte também deste universo, sendo denominada de fótons. Tem-se, portanto, outros ingredientes para a matéria: os elétrons, os quarks, os glúons e os fótons. Há, porém, outras partículas de um tipo diferente, produzidas em reações nucleares como as que ocorrem no Sol ou em reatores aqui na Terra, chamadas de neutrinos. Assim, tem-se átomos (com elétrons, quarks e glúons), fótons e neutrinos e muitos outros tipos. Segundo Rogério Rosenfeld, professor da Unicamp e PhD em Física pela Universidade de Chicago, o Universo tem apenas 5% de átomos, 30% de uma partícula elementar ainda desconhecida e 65% de um meio difuso (que não se concentra em galáxias) cuja origem não se conhece.

O vasto Universo contém bilhões de galáxias. Só a Via Láctea contém cerca de cem bilhões de estrelas. Durante um bom tempo, o paradigma científico afirmou que o Universo era constituído da mesma matéria do planeta Terra: átomos, fótons e neutrinos. Mas as observações do astrônomo suíço Fritz Zwicky mostraram que o peso das galáxias (ou, mais precisamente, a quantidade de massa) é cerca de cem vezes maior que o de todas as estrelas da galáxia, somadas. Ficou claro que entre as estrelas há um tipo de matéria que não irradia luz, a chamada “matéria escura”. Uma fração muito menor é de fótons e neutrinos. Logo, a maior parte do Universo não é feita do mesmo material de que nós somos feitos: os átomos. Não há uma resposta conclusiva para a constituição da maior parte do Universo. Cientistas têm se aproximado da fronteira do infinitamente pequeno, como também vem ocorrendo com a fronteira do macroscópico, o infinitamente grande. As pesquisas da dinâmica das galáxias indicam que 30% dessa composição é matéria escura, formada por um novo tipo de partícula elementar. Pela descoberta feita em 1997 (e que a revista Science considerou uma das mais importantes do século XX), sabe-se que 65% do Universo é composto por “algo difuso”, que não se concentra em galáxias e que provoca a expansão acelerada do Universo. Um estudo recente (de 2003) feito com base na análise de dados do satélite-telescópio WMAP levou à conclusão surpreendente de que 73% do peso do Universo vem do vazio. Vazio, porém, cheio de energia cósmica numa espécie de matéria escondida. As partículas que surgem, desaparecem em um tempo extremamente curto a ponto de não se perceber este efeito. Como disse o astrofísico John Bahcal, do Instituto de Estudo Avançado em Princeton: “Nós temos de aprender a entender esse Universo pouco atrativo, meio louco e implausível, pois não temos alternativa. Da matéria que existe, 85% são de um tipo que não conhecemos, e a maior parte da energia do Universo é de uma forma ainda mais bizarra. Medimos quantidades importantes, respondemos certas perguntas, e outras ainda mais desafiadoras surgiram em seu lugar. E tudo isso, ao olharmos para a primeira luz”, ou seja, os cientistas não sabem ainda qual é a constituição original do Universo. Sabem que algo existe no vácuo, o qual representa quase todo o Universo, porém é muito mais pesado que todo o resto do cosmo.


Existem muitos estudos em relação ao cosmo e uma das teorias que vem sendo estudada com maior interesse é a teoria do Big Bang. Daisaku Ikeda, presidente da SGI, em seu livro Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa observa: “De acordo com os teóricos da explosão, o Universo explodiu há aproximadamente vinte bilhões de anos e todos os elementos básicos tomaram forma nos primeiros trinta minutos. Quando são levantadas questões como o que existia antes da contagem dos 20 bilhões de anos e o que causou a explosão, os proponentes dessa teoria são incapazes de responder. (...)
“Por outro lado, a teoria de um universo estático não tem sido aceita porque a idéia de uma criação infindável de nova matéria é contrária ao nosso tradicional conceito científico da física. No entanto, achamos essa teoria interessante. A idéia básica é a de uma criação contínua de nova matéria que se espalha em ondas, de modo que o cosmo se expande sem mudar a sua consistência fundamental. Não há princípio nem fim.”
Ikeda apresenta a suposição de que “o universo físico, pelo que conhecemos, tem um diâmetro de vinte bilhões de anos-luz e sua idade é de 20 bilhões de anos. São números imensos, mas pelo menos são finitos e constituem os limites físicos da cosmologia do nosso tempo. Além dessas fronteiras, podemos nos apoiar apenas na imaginação. Pode ser ainda que o nosso cosmo não passe de uma parte de um supercosmo muito mais amplo, ou talvez exista um cosmo companheiro, composto inteiramente de antimatéria. Realmente conhecemos unicamente os limites do que sabemos e não do que pode existir”.
Em relação à geometria do Universo, o que os cientistas vêm descobrindo? Um estudo realizado por um grupo liderado por Jean-Pierre Luminet, do Observatório de Paris, sugere que a geometria do Universo, numa escala gigante, pode ser de um dodecaedro esférico, composto por gomos pentagonais. 
Se uma pessoa caminhar indefinidamente à procura do “fim do Universo”, acabará voltando ao ponto de partida. Essas idéias já circulam na física desde Albert Einstein, que, com sua teoria da relatividade, propôs um modelo de cosmos esférico e fechado. Um grupo liderado por Max Tegmark, da Universidade da Pensilvânia, apontou que os dados sugeriam uma conformação finita para o Universo. “Que forma ele teria, não sabemos”, disse na época Angélica de Oliveira Costa, brasileira que participou desse estudo. Luminet parece ter dado o próximo passo, sugerindo a estrutura da bola de futebol. Traduzida para as quatro dimensões do Universo, essa formação faria com que um objeto que saísse de um dos gomos da bola emergisse em outro, do outro lado. Parece uma idéia esdrúxula, mas é a solução que apresenta hoje maior compatibilidade com os dados, segundo George Ellis, da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, que comentou o estudo publicado na revista Nature. Em conclusão, mesmo a geometria do Universo continua a ser um enigma.

A visão budista — o conceito de kuu



O budismo considera todas as coisas como fenômenos. E nenhum fenômeno possui natureza imutável ou independente. É isso o que expressa o conceito de kuu (shunya ou shunyata, em sânscrito), comumente traduzido como vácuo, vazio, não-substancialidade, latência ou nada. Porém, nenhuma dessas traduções é satisfatória. Alguns estudiosos ocidentais do budismo deram ao termo uma outra versão: relatividade. Porém, na obra Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa, Daisaku Ikeda observa que essa tradução “tende a associá-lo à ciência dos físicos e, conseqüentemente, ao mundo material”.
O conceito budista de kuu está associado a um outro chamado de origem dependente, isto é, de que todos os fenômenos ou entidades ocorrem somente por meio do relacionamento com outros e, conseqüentemente, não possuem uma natureza isolada nem existem por si só. Portanto, a verdadeira natureza de todos os fenômenos é a da não-substancialidade e, estes, não podem ser definidos somente sob a ótica dos conceitos de existência e inexistência. Nagarjuna, um erudito do Budismo Mahayana e um dos principais discípulos sucessores de Sakyamuni, explanou este conceito da não-substancialidade como sendo o do Caminho do Meio, mostrando os extremos que representam as categorias de existência e de não-existência. Vejamos como exemplo o sentimento humano. O sentimento certamente existe na vida das pessoas. Entretanto, enquanto dormem, ele parece não mais existir. Mas, ao acordarem, imediatamente ele se manifesta. Assim, torna-se difícil defini-lo como existência e como inexistência. Embora sua existência pareça ser inegável, no momento seguinte ele desaparece, e vice-versa. Qual seria então a verdade sobre este fenômeno: existência ou não-existência? O conceito de kuu se aplica exatamente a estas situações em que a análise da existência e da não-existência não leva a uma conclusão.



Em “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, Nitiren Daishonin afirma: “Qual é então o significado de myo? Myo é simplesmente a misteriosa natureza de nossa vida a cada instante, que a mente não consegue compreender e que não pode ser expressa em palavras. Quando observamos nossa própria mente em qualquer momento, não percebemos a cor nem a forma para comprovar sua existência. No entanto, não podemos dizer que ela não existe pelo fato de incessantes pensamentos nos ocorrer. A mente não pode ser considerada como algo existente nem inexistente. A vida é de fato uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e inexistência. Ela não é nem existência nem inexistência, no entanto, mostra características de ambas. É a entidade mística do Caminho do Meio, ou seja, a realidade fundamental. Myo é o nome dado à natureza mística da vida, e ho, a suas manifestações.” 

O objetivo prático que está por trás desta idéia da não-substancialidade é a da eliminação dos apegos a fenômenos transitórios e ao próprio ego, isto é, a percepção de ser uma identidade independente e imutável. 
O princípio de três percepções da verdade, ou simplesmente três verdades (santai), ajuda na compreensão do conceito de kuu. De acordo com este princípio, a realidade última de todo e qualquer fenômeno é formada pelas três percepções da verdade: a verdade da não-substancialidade (kuu-tai), a verdade da existência temporária (ke-tai) e a verdade do caminho do meio (tyu-tai). A verdade da não-substancialidade significa que nenhum fenômeno possui uma existência por si só; sua verdadeira natureza é a da não-substancialidade e não pode ser definida somente em termos de existência ou de não-existência. A verdade da existência temporária significa que todos os fenômenos, apesar da não-substancialidade, possuem uma realidade temporária que está em constante mutação. A verdade do caminho do meio significa que a verdadeira natureza de todos os fenômenos não é nem a da não-substancialidade nem a da realidade temporária, pois ambas se manifestam sempre. Portanto, o caminho do meio é a essência de tudo contida tanto no seu estado manifesto como latente.
Fazendo um comparativo com o corpo humano, da mesma forma que ocorre no macrocosmo, as pessoas também não percebem, mas a cada instante, nascem e morrem várias e várias células sadias ou destrutivas. Não se pode dizer que um indivívuo não tem células destrutivas, pois o câncer pode se manifestar repentinamente, assim como doenças inéditas podem se desenvolver de uma forma jamais imaginada por ele. Do mesmo modo, existem tipos de vírus que a cada dia, surpreendem a todos dificultando encontrar soluções a curto prazo, por ter sua origem desconhecida. Enfim, não se sabe de toda potencialidade existente em todo Universo, porque a cada instante pode-se conhecer novas galáxias, planetas, estrelas, cada qual com seu despertar natural, que é essa vida e morte ininterrupta e dinâmica. Um entendimento mais completo sobre o conceito de kuu dificilmente poderá ser realizado somente por estudos científicos. Por outro lado a ciência vem se aproximando do conceito que o budismo chama de kuu, de que a vida é eterna, ela sempre existiu e existirá.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

Venha estudar e meditar conosco!

Para praticar Budismo em Palmas - Tocantins, envie e-mail para institutomaitri@gmail.com ou ligue para 63 8112-9265.

A CANÇÃO DE MAHAMUDRA

A CANÇÃO DE MAHAMUDRA
Mahamudra está para além das palavras e símbolos,
mas para ti, Naropa, sério e leal,
isto deve ser dito:

O Vácuo não precisa de confiança,
Mahamudra repousa sobre nada.
Sem fazer esforço,
mas permanecendo desprendido e natural,
é possível quebrar o jugo,
ganhando, assim, a Libertação.

Se alguém nada vê quando contempla o espaço,
se com a mente alguém observa a mente,
esse alguém destrói distinções
e alcança o estado de Buddha.

As nuvens que vagueiam pelo céu
não têm raízes, nem lar,
também assim são os pensamentos distintivos
vagando através da mente.

Desde que a mente-eu é vista,
cessa a discriminação.

Formas e cores formam-se no espaço,
mas o espaço não é tingido nem pelo branco, nem pelo preto.
Da mente-eu todas as coisas emergem,
e a mente não é manchada nem por virtude, nem por vícios.

As trevas dos tempos
não podem amortalhar o sol fulgente;
os longos kalpas do samsara
jamais podem esconder a luz brilhante da Mente.

Embora palavras sejam ditas para explicar o Vácuo,
o Vácuo, tal como é, jamais pode ser explicado.
Embora digamos que a Mente é uma luz brilhante,
ela está para além de todas as palavras e símbolos.

Embora a Mente seja vazia em sua essência,
contém e abarca todas as coisas.

Nada faças com o corpo, mas relaxa;
fecha com firmeza a boca e permanece silente;
esvazia a mente e em nada penses.

Como um bambu oco, repousa bem teu corpo.
Sem dar nem tomar, repousa tua mente.
Mahamudra é como a mente que a nada se prende.
Assim praticando alcançarás, em tempo, o estado de Buddha.

A prática do do mantra e do paramita,
a instrução em sutras e preceitos,
o ensino das escolas e das escrituras,
não levarão à percepção da Verdade Inata.

Porque, se a mente, quando tomada por algum desejo,
procura encontrar um objetivo,
apenas oculta a Luz.

Aquele que observa os preceito tântricos, ainda discrimina,
trai o espírito de samaya.

Cessa toda atividade, abandona todos os desejos,
deixa que os pensamentos subam e desçam,
coisa que eles farão, como ondas no oceano.

Aquele que nunca prejudica o não-perdurável,
nem o princípio da não-distinção,
defende os preceitos tântricos.

O que abandona o desejo insaciável
e não se prende a isto, nem àquilo
percebe o significado real dado nas escrituras.

Em Mahamudra todos os pecados são consumidos;
em Mahamudra está a libertação
dos cárceres desse mundo.

Esse é o supremo archote do Dharma.

Os que não crêem nisso são insensatos,
para sempre chafurdados em sofrimento e tristeza.

Se alguém quer lutar pela libertação,
Precisa confiar num Guru.

Quando a tua mente recebe a bênção dele
A emancipação está próxima.

Ai! Todas as coisas deste mundo são sem sentido,
Não passam de sementes de dor.

Ensinamentos pequenos levam a ações ---
Só se devem seguir os Grandes Ensinamentos.

Transcender a dualidade é visão soberana.
Dominar abstrações é prática régia.
A trilha da não-prática é o caminho de todos os Buddhas.
Quem pisa essa trilha alcança o estado de Buddha.

Transitório é este mundo;
como fantasmas e sonhos, ele não tem substância alguma.
Renuncia a ele, abandona teus parentes,
corta os laços da luxúria e do ódio,
e medita em bosques e montanhas.

Se, sem esforço,
permaneceres desprendidamente em estado natural,
logo Mahamudra conseguirás,
e obterás a não-obtenção.

Corta a raiz das árvores e as folhas murcharão;
corta a raiz da tua mente e samsara tomba.

A luz de qualquer lâmpada dissipa, num momento,
as trevas de longos kalpas;
a luz forte da mente, num simples lampejo,
queimará o véu da ignorância.

Quem quer que se agarre à mente
não vê a verdade que está além da mente.

Quem quer que lute para praticar o Dharma,
não encontra a verdade que está para além da prática,

A fim de saber o que há além da mente e da prática,
é preciso cortar completamente a raiz da mente,
e ficar despido.

Assim, deves afastar-te de todas as distinções
e permanecer tranqüilo.

Não devemos dar nem receber,
mas permanecer natural, porque Mahamudra
está para além de toda aceitação e rejeição.
Já que alaya não é nascida,
ninguém pode obstruí-la ou manchá-la;

conservando-se na região não-nascida
toda aparência se dissolverá em Dharmata
e o egoísmo e o orgulho se desvanecerão em nada.

A suprema compreensão
transcende tudo isto e tudo aquilo.

A suprema ação
contém grande produtividade sem apego.

A suprema realização
é compreender a imanência sem desejo.

De início, o yogui sente que sua mente
se está despencando como uma cascata;
a meio curso, como o Ganga,
ela flui, lenta e suavemente;
ao fim, é um grande, um vasto oceano,
onde as luzes da mãe e do filho fundem-se numa só.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Minha Vida
Tai chi chuan proporciona equilíbrio e combate o estresse
por: Site Minha Vida
 
Foto: Reprodução da Internet
A tranquilidade do movimento lento, o contraste entre o cheio e o vazio, a harmonia entre o interno e o externo e as simbologias do poder da terra, da água, do fogo, do metal e da madeira traduzem a prática do tai chi chuan. Ele foi criado com propósitos de combate, como uma arte marcial, mas com o passar dos séculos ganhou ênfase no desenvolvimento da saúde e no combate ao estresse.
No tai chi chuan, a suavidade e a flexibilidade superam a dureza e a rigidez. O exercício, que engloba também uma filosofia de vida, enfatiza a harmonia como um meio de melhorar o desenvolvimento da mente e das habilidades físicas. Também é ressaltada a importância do controle da respiração, a prática da meditação e de movimentos naturais do corpo.
Para o professor do Espaço Bem-Estar em São Paulo, Arthur Dalmaso, durante a prática se trava um combate de você contra você mesmo. Não existe erro, é preciso alcançar seu equilíbrio fortalecendo a respiração, corrigindo a postura e alongando músculos e tendões. Parece um exercício simples e fácil, mas que na verdade exige muita concentração para realizar cada movimento.
A diferença está na sensibilidade da forma. Segundo o livro Tai chi chuan: saúde e equilíbrio, de Fernando De Lazzari, é importante deixar o corpo relaxado e estendido durante a prática. "Quanto mais tensa a pessoa está, menos sensível ela fica. Uma pessoa relaxada tem os sentidos mais receptivos e uma consciência maior do que se passa em seu interior e exterior. O princípio básico do tai chi chuan é aprender a relaxar, ficar calmo, com a mente limpa, seja nos movimentos, seja no trabalho ou em qualquer outra atividade".
PARA CONTINUAR LENDO A MATÉRIA, ACESSE: http://minhavida.uol.com.br/conteudo/12437-Pratica-do-tai-chi-chuan-proporciona-equilibrio-e-combate-o-estresse.htm
Em Palmas - Tocantins, o Instituto Maitri oferece aulas regulares de Tai Chi Chuan do Estilo da Família Yang. Informe-se!
  Para praticar Budismo em Palmas - Tocantins, envie e-mail para institutomaitri@gmail.com ou ligue para 63 8112-9265.

Transcrição de Juliana Ortega
Transcrição da fala de S.S. o Dalai Lama no Brasil: "A convivência nasce do diálogo que celebra nossas diferenças"
por: Redação do site
 
S.S. O Dalai Lama
Foto: Reprodução da Internet
São Paulo, 17 de setembro de 2011.

"Eu me dirijo a vocês como um ser humano. E vejo que vocês também são seres humanos. Então, entre nós não existe nenhuma diferença, nem mentalmente, nem emocionalmente, nem fisicamente. E, mais importante, todos nós devemos ter uma vida plena, e todos nós temos o direito de alcançar a felicidade que almejamos.

Certamente, em um nível secundário, existem diferenças entre nós. Eu, por exemplo, nasci na Ásia, nasci no Tibet, eu sou budista. Mas no nível fundamental não existe diferença entre nós, somos todos iguais. E é nesse nível fundamental que nossa comunicação deve acontecer.

Na realidade de hoje, é chegado o tempo em que é possível desenvolver um conceito de Nós. Toda a comunidade integra um ente único, que somos Nós. No passado havia um sentimento de Nós aqui de um lado e do Outro apartado de Nós. Mas no mundo moderno, por causa da economia global, por causa das questões ecológicas, do crescimento populacional, o interesse de um país é totalmente ligado ao interesse dos demais países. O interesse de um continente está ligado aos interesses dos demais continentes. Então hoje nós temos relações de um país para com todos os demais, de um continente com todos os demais. Essa é a realidade de hoje. E a sociedade não pode se desenvolver sem recursos que vem de outros continentes. Essa interdependência, ou seja, essa unicidade da humanidade deve ser compreendida para um futuro saudável.

No passado, nós dávamos muita ênfase a esse conceito de Nós de um lado e Eles do outro. Em consequência disso, muitos problemas desnecessários acabam aparecendo. As diferenças de nacionalidade, crença religiosa, classe social, nível educacional são secundárias e acabam criando discriminação e infelicidade. Apesar dessas diferenças, somos todos iguais à medida que somos seres humanos e vivemos no mesmo planeta.

No século XX, certamente assistimos o desenvolvimento de um inter-relacionamento entre nós, porém o século XX também veio a ser conhecido como um século de violência e derramamento de sangue. Alguns historiadores afirmam que mais de 200 milhões de pessoas morreram por causa da guerra e da violência, em guerras civis, inclusive com o uso de armas nucleares. E você poderia pensar que se apesar essa tremenda violência o mundo passou a ser mais pacífico, então poderíamos pensar em alguma justificativa para esse tipo de conduta. Mas esse não é o caso.

Muitos dos problemas que temos no início deste século são conseqüências de erros cometidos no século passado. Nesse século XXI nós precisamos ponderar, refletir sobre como podemos conduzir de um modo diferente. Quando os problemas aparecem e há a possibilidade de um conflito surgir, precisamos descobrir como resolvê-los por meio de conversações, de um diálogo. Precisamos construir o século XXI como o século da paz. E para que isso aconteça é importante utilizar do conceito do diálogo. É importante enxergarmos que o uso da violência não constitui um método realista de solução de problemas. No passado, os interesses de cada país eram autônomos, então cada país tinha interesses separados dos de outros países. Se eu travo uma guerra com outro país, a derrota do inimigo significa a minha vitória. Mas na realidade de hoje, com essa grande interdependência entre nações e povos, não é mais realista pensar em termos de destruição do vizinho, já que destruí-lo representa também sua própria destruição.

Se olharmos para a guerra do Iraque e Afeganistão, poderemos ver que a ação dos americanos teve origem correta, mas o método utilizado foi equivocado. E quando você usa a violência, muitos resultados equivocados e indesejados aparecem. É muito melhor utilizar o diálogo. Dentro dessa vertente, precisamos fazer do mundo moderno um mundo desmilitarizado, onde não haja armamentos. Então essa afirmação deve fazer parte do nosso sonho de ter um dia um mundo completamente livre de armas. E isso é uma coisa que pode ser alcançada passo a passo. Agora nós vemos que vários países tem agido no sentido de reduzir seu arsenal de armas, o que já é um bom começo. Mas enquanto estivermos diante desse esforço, temos uma tarefa a cumprir. Enquanto se avança no desarmamento externo, é preciso que se crie um desarmamento interno. A raiva, o ódio, o medo, a inveja, a ganância, essas são as causas primeiras da violência. É importante que prestemos mais atenção ao nosso nível interno de emoções. É a partir da nossa capacidade de lidar com essas emoções internas negativas que um dia o desarmamento externo poderá acontecer.

Eu vejo que existem muitas pessoas jovens na platéia e com vocês eu gostaria de dividir alguns pensamentos meus. Eu tenho hoje 76 anos de idade e pertenço à geração do século passado. Mas vocês que tem menos de 30, pertencem à geração do século XXI. A minha geração está se preparando para a despedida, está chegando nossa hora de ir embora. Mas vocês que são a geração do século atual precisam ter responsabilidade. Cabe a vocês visualizar como um mundo pacífico e compassivo pode ser criado. É importante que vocês tenham uma visão e disposição para trabalhar esse mundo pacífico. Para que isso possa acontecer, duas coisas são necessárias: primeiro é a visão, como já falei, e para isso não basta olhar apenas para o que está à sua volta. É preciso ter uma perspectiva ampla que abarque o mundo todo, uma perspectiva global. A segunda coisa é a educação. A educação é um instrumento que pode ser utilizado de forma positiva ou negativa. E isso depende inteiramente da motivação de cada pessoa. Por isso é muito importante que vocês prestem atenção para a qualidade do seu coração, que vocês cultivem o calor no coração. Primeiro para seu benefício próprio. Um coração cálido no peito certamente te dará uma vida com mais sentido. Essa qualidade garante um sentimento de autoconfiança e reduz o medo, permitindo que haja paz interior.

Agora eu quero falar como essas qualidades do coração podem ser cultivadas e desenvolvidas. Eu costumo dizer que existem três caminhos para isso. O primeiro é o caminho proposto pelas religiões teístas, que propõem o conceito de um Deus criador. Essas religiões oferecem um instrumento extremamente poderoso para lidarmos com o nosso egoísmo, com a nossa arrogância e contribuem definitivamente para uma visão menos egoísta. Deus pode ser entendido como uma compaixão infinita, como Amor, e então uma pessoa que se submete totalmente ao seu Deus e O segue de maneira sincera possui um instrumento muito poderoso para cultivar as qualidades do coração.

O segundo caminho é proposto pelas religiões não teístas, como o Jainismo, o Budismo e o segmento antigo do Hinduísmo. Elas não propõem a existência de um criador. Essas três grandes tradições religiosas vão falar da lei da causalidade. Ela diz que se você pratica bons atos e propicia a felicidade de seu semelhante, isso redunda em seu benefício. Por outro lado, se a sua atitude é de ferir os outros, causar sofrimento e restrição ao outro, então isso leva a conseqüências negativas para você próprio. Então, compreendendo isso, você deve ter como hábito isentar-se de prejudicar o seu semelhante. E, se possível, mais do que isso, você também deve servir o seu semelhante. Então, inicia-se um ciclo de paz que fortalece valores internos.

No planeta nós somos 7 bilhões de seres humanos, e uma grande parcela da humanidade não tem um interesse sério em uma crença religiosa. Por curiosidade pessoal, das pessoas que estão aqui, quantas pessoas não tem engajamento sério com uma crença religiosa? (Muitas pessoas levantam a mão e o Dalai Lama ri). Então, é realidade.

ós vemos muitas pessoas nos diversos países que não se interessam por um caminho religioso. O que não podemos negar é que os não crentes também fazem parte da comunidade. E para eles a alegria e a paz interior também são importantes. Para eles também é necessário cultivar valores internos. O problema é que as pessoas que não se interessam por religião não se dão o trabalho de aprender a desenvolver e cultivar valores como a compaixão, o amor, o perdão. Elas pensam que essas são coisas que pertencem ao mundo da religião. Mas essa perspectiva é equivocada. Os valores internos formam a base de uma vida feliz. Então, se uma pessoa busca a felicidade, ela não pode negligenciar esses valores internos. É claro que as religiões vão promover e cultivar esses valores, mas é necessário também que pessoas que não tem interesse explícito por religião possam desenvolvê-los. Dentro desse contexto, acredito que é preciso existir também uma terceira via em que os valores internos possam ser também cultivados sem necessariamente passar por uma religião, seja ela teísta ou não teísta.

Eu gostaria de falar para vocês um pouco sobre a história da Índia. Se voltarmos 3000 anos no tempo, encontraremos uma Índia que ainda não existia como país unificado, mas como uma infinidade de pequenos reinos, cada um com sua concepção religiosa. Essa diversidade de religiões sempre existiu na Índia. Além das religiões autóctones, muitas convicções religiosas do mundo migraram para a Índia e lá se estabeleceram de forma pacífica, de forma que hoje nós temos todas as tradições religiosas. E na história da Índia havia uma tradição religiosa que era absolutamente agnóstica, e ela simplesmente dizia que a única coisa com que deveríamos nos preocupar era essa vida e as coisas que aconteciam nessa vida. Não seria preciso se preocupar com coisas como Deus e religiosidade. Essa escola niilista era muitas vezes criticada pelos filósofos e até condenada, mas apenas do ponto de vista filosófico. Mas a pessoa que era seguidora do ponto de vista niilista era respeitada. É preciso que isso seja replicado nos tempos modernos. Devido ao pluralismo religioso, foi desenvolvido na Índia o secularismo e, nessa perspectiva secular as tradições religiosas não são desrespeitadas. Ao contrário, são respeitadas todas as pessoas, pertencentes a todos os credos, e também os não crentes. Desse modo, podemos falar que existe também uma maneira de promover valores internos a partir da perspectiva do secularismo.

Outro ponto que é importante ressaltar é que o secularismo relaciona-se com a noção de que a disseminação dos valores internos em um nível universal deve ser feita por meio da educação. Uma religião, por mais benéfica e maravilhosa que possa ser, jamais conseguirá ser universal. Daí surge a importância do secularismo, que permite a integração dos valores internos e o cultivo desses valores em um sistema educacional sem que precisem estar atrelados a uma religião. Já existem grupos de pesquisadores em vários países que estão voltados ao estudo de como introduzir valores morais e éticos na educação com base na perspectiva secularista. A partir dessa perspectiva, três conceitos fundamentam a noção dos valores internos: a experiência comum, bom senso e as descobertas da ciência.

O desenvolvimento de uma ética secular é extremamente necessário à humanidade. Nós vemos aqui em São Paulo um número cada vez maior de prédios e prédios cada vez mais altos. Mas ao mesmo tempo, na perspectiva de valores internos, pode ser visto um declínio, o que mostra um contraste. É aí que vemos corrupção, injustiças sociais e esses acontecimentos demonstram uma falta de valores morais, uma falta de fortalecimento de tradições éticas. E também existem no nível de relações internacionais, os países mais poderosos que tem uma cultura autoritária sobre os mais frágeis.

Uma pergunta que faço a vocês: aqui no Brasil, qual é o tamanho da distância entre ricos e pobres? Vocês estão felizes com esse hiato? Outra questão muito importante é a corrupção. Ela entrou pelo mundo todo, oriente e ocidente. Como é aqui no Brasil, ela existe? É pequena ou grande? Se olharmos para a situação da Índia, veremos que é hoje um pais extremamente democrático. A democracia se instalou firmemente na Índia. O poder judiciário é completamente independente e há total liberdade de imprensa. Diferentemente do que ocorre na China. Na Índia o governo é eleito pelo povo. Os governantes são responsáveis perante a população. Comparado com regimes totalitários a democracia é muito melhor, mas ainda assim existe a corrupção.

Então, é necessário, por meio da educação, criar um sentido de esponsabilidade e preocupação com o outro, um sentido de que formamos uma comunidade e temos responsabilidade perante essa comunidade. E isso faz aparecer um sentimento de igualdade entre os seres. É importante registrar que para desenvolver esse tipo de valor é necessária uma visão de longo prazo, e é necessário reproduzi-la no sistema educacional, começando desde a infância e chegando até a universidade. Os valores internos fazem parte de uma vida feliz e são fundamentais para que uma pessoa seja feliz, par que uma família seja feliz, para que um país seja feliz e para que um planeta seja feliz."

domingo, 25 de março de 2012

Espiritualidade
Aulas regulares de meditação e filosofia budista em Palmas - Tocantins
por:Sonielson Sousa
 
Foto: Reprodução da Internet
Desde fevereiro de 2011 o Instituto Maitri oferece em Palmas, capital do Tocantins, às sextas-feiras, aulas regulares com temas relacionados à ampla filosofia budista. Além disso, antes das abordagens dos temas, há meditação (em silêncio e/ou com mantras) e, ao final do encontro, os participantes recebem técnicas de relaxamento com base em hatha yoga.
Os temas de cada encontro são permeados por exemplos do cotidiano, e todos os presentes podem cooperar com suas vivências particulares.
Os encontros ocorrem a partir das 18h45. Para participar, confirme através do telefone 63 8112-9265 (Tim móvel) ou envie um e-mail para institutomaitri@gmail.com . Todas as atividades são gratuitas.
Que todos os seres deixem de sofrer e alcancem a Iluminação!!!
OM MANI PADME HUM
Para praticar Budismo, Yoga e Tai Chi em Palmas, ligue 63 8112-9265 ou envie email para institutomaitri@gmail.com

Lançamento
Manual de Budismo é um norte para quem quer se aprofundar nos ensinamentos
por:Sonielson Sousa
 
Imagem de Budha em tradição postura meditativa
Foto: Reprodução da Internet
O Budismo é conhecido por seu enfoque nos aspectos práticos, sem que o discípulo/estudante esqueça de se aprofundar na filosofia que permeia toda a abordagem. A equanimidade, um dos pontos-chaves da escola do caminho do Meio, remete para que não se negligencie esses dois aspectos, ou seja, a teoria e a prática, o conhecimento intelectual e a técnica devem literalmente andar juntas. Aprimorando-se por esse caminho, acredita-se, o praticante desenvolve a tão almejada sabedoria. Junte-se a isso a compaixão, e pronto! Há aí um forte indício de que realmente se está trilhando o caminho do Budha.

Pensando nisso, o Lama Zopa Norbu (professor Roque Enrique Severino), diretor para São Paulo do Jardim do Dharma (Centro de Estudos e Prática do Budismo Vajrayana da linhagem Karma Kagiu), acaba de compilar um manual com o que há de mais relevante, em sua opinião, tendo por base os ensinamentos de mestres de várias tradições.

Trata-se de um verdadeiro guia que explica, de forma geral, desde a tomada do refúgio, quando o discípulo se compromete perante as Três Jóias (o Budha, o Dharma e o Sangha) a não descansar enquanto não atingir a iluminação para o benefício de todos os seres, passando pela história do Budismo Tibetano e sua aproximação com a tradição Bön, até as orientações mais elaboradas e deixadas para todos através dos mantras.

Perguntado sobre o que lhe inspirou a compilar tal material, Zopa Norbu diz que o objetivo é contribuir para que o aluno possa estudar os temas em profundidade, já que o grande problema é fazer com que as pessoas entendam o verdadeiro significado do que é abordado no Dharma (o corpo de instruções no budismo). “Um professor que não estimula os alunos a estudarem certamente é porque já lhes oferece todas as respostas, e isso, de certa forma, pode desencadear uma relação nociva, de domínio. Neste manual, o leitor terá ao menos uma boa base para iniciar algum tipo de treino”, garante o Lama, que irá distribuir a compilação gratuitamente.

   
Debate
Por ter tradição oral e de fomento aos debates, o Budismo Vajrayana é bem recebido no ocidente. Como o próprio Dalai Lama falou em sua recente visita ao Brasil, em setembro último, o Budismo Tibetano remonta à universidade de Nalanda (situada na Índia e destruída pelos mulçumanos há vários séculos), onde era comum uma tese ser discutida à exaustão, uma prática que mais recentemente lembraria a dialética de Marx. No entanto, de acordo com o lama Zopa, o que se vê no Brasil, ainda, é uma introdução a todo esse profundo conhecimento e mística. “O Budismo Vajrayana ainda não é totalmente apresentado aos ocidentais. O que se observa de forma geral é a aparência externa, as cores, as pinturas e os rituais elaborados. O aluno tem que ficar atento, pois em 1980 os grandes lamas que vieram ao ocidente (Europa e América, não ao Brasil) e o próprio Dalai Lama retiraram das livrarias todos os livros publicados, pois perceberam o grande erro que foi cometido em mostrar o Tantra para pessoas completamente desqualificadas”, alerta o Lama, numa clara demonstração de que a orientação no trantrismo (o Budismo Vajrayana também é chamado de Budismo Tântrico) requer muito mais do que um mero ritual bem elaborado.

Fé e o budismo
A fé muitas vezes está associada à ausência de questionamentos, o que faz com que algumas pessoas desenvolvam a chamada “fé cega”; no budismo, procura-se despertar o praticante para uma visão ampla, onde o questionamento respeitoso é sadio. Neste manual, diz Zopa Norbu, “o mais importante é que as pessoas possam ter acesso aos ensinamentos dos grandes mestres antes de começar a treinar alguma coisa”, e pontua que a “fé cega somente cria sectarismo que surge da arrogância extrema”.

Zopa Norbu diz que o mais importante é estudar o veículo base – ou hinayana – antes de se adentrar em algo mais profundo, e se lembra de uma experiência que teve em sua juventude, em Buenos Aires: “Em 1970 tive a enorme sorte de encontrar um senhor japonês mestre de Judô. Ele dava aos seus alunos os primeiros ensinamentos sobre o Dharma. Um dia eu apareci com um livro de D. Susuki - A Doutrina Zen do Inconsciente - e comecei a lhe perguntar um monte de asneiras. Ele me escutou pacientemente e após eu concluir todas as perguntas, ele questionou: - Roque, você conhece sobre o Bramanismo? - Eu lhe respondi que não. E ele prosseguiu: - Você conhece sobre o Budismo Ortodoxo? – E mais uma vez eu lhe respondi que não. Ele olhou para mim e questionou: - Você conhece sobre o Hinayana e o Mahayana? - Eu também lhe respondi que não. Então ele parou e me olhou fixamente para dizer: - Se você não conhece sobre o Bramanismo, o budismo hinayana e mahayana, como espera entender algo sobre o Zen?”. A partir desta história real de vida, o Lama Zopa finaliza ao dizer que, hoje, fala para todos os seus alunos que é preciso ter uma base sólida do Budismo para que estes possam, depois, se dedicarem ao Vajrayana, “senão será uma pura perda de tempo”. (Por Sonielson Luciano de Sousa)

   
Como adquirir
Aos interessados em adquirir o manual, que será disponibilizado no formato PDF, basta solicitar através do formulário de contato da página http://www.jardimdharma.org.br ou diretamente pelo e-mail jardimdharma@sbtcc.org.br
Para praticar Budismo e Tai Chi em Palmas, ligue 63 8112-9265 ou envie email para institutomaitri@gmail.com
 

Tai Chi Chuan
Professores Roque e Ângela serão formalizados como discípulos da Família Yang na China
por: Sonielson Sousa
 
Professores Ângela Soci e Roque Severino (Zopa Norbu): esforço reconhecido
Foto: Sonielson Sousa

Há décadas que o casal de professores Roque Severino (Lama Zopa Norbu) e Ângela Soci se dedica com esmero ao Tai Chi Chuan, arte marcial chinesa que virou “febre” no Ocidente pelo seu comprovado valor terapêutico. Agora, depois de muitos anos como fiéis representantes da Família Yang (uma das mais tradicionais em Tai Chi Chuan dentro e fora da China) no Brasil e em toda a América do Sul, eles serão formalmente recebidos como discípulos dos mestres Yang Zhenduo e Yang Jun (atual detentor da linhagem).

A cerimônia ocorrerá em agosto, na China, e terá como testemunha caravanas de praticantes de Tai Chi Chuan (estilo Yang) de todo o mundo, que participam de uma espécie de torneio (não competitivo) na terra dos fundadores desta arte marcial milenar, a região de Taiyuan. Além dos professores Roque e Ângela, que representam o continente sul-americano, outros sete discípulos receberão a honraria.

Para o professor Roque Severino, que juntamente com a professora Ângela esteve recentemente em novo encontro com o mestre Yang Jun, em Seattle – EUA, a formalização do discipulado era algo que eles sempre aspiravam, uma oportunidade para receber os ensinamentos preciosos sobre o discipulado do Tai Chi Chuan.

Missão
O professor Roque, como é carinhosamente chamado por seus alunos e discípulos, disse que na realidade não vê o ensino do Tai Chi Chuan como uma carreira, e sim como uma missão ou um apostolado. “O Tai Chi Chuan não é uma profissão e sim um sistema integral de saúde mental, emocional e física, além de ser um caminho profundamente espiritual de autoconhecimento”, diz o professor, para emendar: “Então sermos escolhidos como discípulos é tanto para a profa. Ângela como para a minha pessoa uma forma de confirmação de que sempre estivemos no caminho certo, já que todas as nossas ideias e todo o nosso trabalho durante todas estas décadas, veio ao encontro da aspiração da Família Yang”.

Professor Roque faz questão de lembrar uma frase do mestre chinês Confúcio, que fala que “quando duas pessoas estão ligadas por um vínculo espiritual muito forte, nem o tempo, nem à distância, nem correntes de bronze conseguem separá-las”.

Compromisso
Sobre o grande compromisso que os professores já têm com o Tai Chi e com a família Yang, e o que isso irá mudar a partir desta cerimônia, Roque Severino fala que agora haverá ainda mais trabalho, mais dedicação, e mais compromisso ético e moral com a Família. “Também haverá mais conhecimento e ao mesmo tempo mais dedicação aos nossos alunos. Ou seja, eles [alunos] também participam de todo este movimento, já que eles podem estar certos de que não estão na frente de professores que lhe estão ensinando algo aprendido de vídeos, ou algo originado de uma interpretação própria”, explica o professor, para alertar que este é o maior problema atual do ensino da arte. “Muitos professores ou instrutores nunca tiveram acesso a nenhuma fonte, porém eles já se auto-intitulam ‘mestres, ou grão mestres’, outros tiram fotos ao lado de mestres chineses e se dizem ‘discípulos’ sem saber que o discípulo recebe uma certificação por escrito onde toda a comunidade chinesa reconhece a sua autenticidade”, alerta Roque Severino, ao dizer que quem pode outorgar um título de discipulado é um mestre autêntico que representa uma linhagem autêntica.

Linhagem
Sobre a importância de os ensinamentos de uma arte milenar como o Tai Chi Chuan permanecer sendo repassados de mestre para discípulo, o professor Roque diz que a linhagem representa a transmissão pura que tem como origem o seu criador. “Temos que entender que a China sofreu inúmeras mudanças profundas, e o ensino do Tai Chi Chuan foi levado às praças públicas com o intuito de beneficiar o povo chinês como um todo. Paralelamente a isso os mestres mantiveram o ensino ‘a portas fechadas’ ou ‘dentro de casa’ para aqueles que realmente queriam se aprofundar nos mistérios e nos significados mais profundos da arte”, ensina Roque, explicado que é nesses casos em que entra o discipulado, ou seja, aquele que recebe “dentro de casa” os ensinamentos esotéricos da arte.

Em relação aos ensinamentos que são passados no Brasil, tanto pelo professor Roque quanto pela professora Ângela, permanecerá com grande rigor de aprofundamento, e a técnica será cada vez mais exigente para com os aprendizes de instrutores. “Já em relação aos princípios espirituais, estou trabalhando num novo manual onde apresento a estreita relação do Tai Chi Chuan com os ensinamentos psicológicos de Buda”, fala Roque Severino, ao adiantar que o mestre Tibetano de Dharma, Kyabje Tenga Rimpoche – a quem o professor Roque/Lama Zopa Norbu mantém estreita relação - sempre treinou Tai Chi Chuan. “Em 2013 virá nos visitar um mestre Budista para que realizemos um retiro em conjunto de Dharma e Tai Chi”, revelou Roque.

“Queridinho” da mídia
Ultimamente o Tai Chi Chuan vendo sendo alvo de várias publicações, por ter excelente resultados como agente que previne doenças. Apesar desse “boom” da arte marcial, o professor Roque diz que mesmo a Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental vir batalhando desde 1978, o Brasil ainda não conhece todos os benefícios que o Tai Chi Chuan oferece à saúde, “porém estamos realizando inúmeras pesquisas científicas em diversos hospitais paulistas que em breve estarão mostrando no mundo acadêmico os benefícios da arte”, diz. Roque destaca que em 2010 veio o primeiro prêmio da Revista Einstein - pertencente ao Hospital Albert Einstein – “onde foi publicada a nossa pesquisa científica sobre os benefícios do Tai Chi Chuan para prevenir o Mal de Alzheimer”.

Segurança
Com os professores Roque Severino e Ângela Soci, fica a certeza de que, no Brasil, há uma fonte de ensino extremamente confiável. Eles são verdadeiros guardiões e difusores deste grande tesouro da Humanidade que é o Tai Chi Chuan.

SERVIÇO
Práticas regulares e cursos de formação de instrutores
Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan – www.sbtcc.org.br
Rua José Maria Lisboa , 612

Sala 01/07 - Jardins
Tel. (11) 3884.8943
Para praticar budismo em Palmas - Tocantins, ligue para 63 8112-9265 ou envie email para institutomaitri@gmail.com

Budismo Tibetano
Após aprofundar estudos no Nepal, Lama Zopa Norbu anuncia novidades para este ano
por: Por Sonielson Sousa* - sonielson@brturbo.com.br
Lama Zopa Norbu, diretor para São Paulo do Jardim do Dharma
Foto: Jardim do Dharma
O Lama Zopa Norbu, que tem sua base de atuação no Jardim do Dharma (http://www.jardimdharma.org.br ) em São Paulo, não abre mão de manter uma estreita relação com os mestres de Dharma que moram tanto na Europa quanto na região do Himalaia. Recentemente, acabou de participar de mais um retiro com o renomado mestre Kyabje Tenga Rimpoche, no Nepal.

Um dos poucos mestres vivos que detem as mais profundas técnicas esotéricas do Budismo Tibetano, sobretudo da linhagem Kagiupa, Tenga se dedica constantemente ao cultivo da meditação, da obtenção e manutenção de energia e, claro, ao desabrochar da compaixão, ponto principal dos processos meditativos.

Neste contexto, o Lama Zopa Norbu também imprime aos seus discípulos do Brasil uma receita idêntica da recebida pelo seu mestre. E desta última viagem, Norbu trouxe na bagagem a celebração de um acordo para a vinda ao Brasil de integrantes do mosteiro de Benchen, que irão compartilhar com os alunos tupiniquins os rituais do Budismo Vajrayana (veja mais detalhes abaixo).

De acordo com o Lama Zopa, o mais importante para o ensino do dharma é ter o contato real, não imaginário, com o mestre e a linhagem pura. “Se não houver esta linhagem e nem este contato com o mestre vivo, os ensinamentos em breve tempo começam a se deturpar, já que o professor ao não ser uma pessoa iluminada, começa a misturar suas próprias neuroses com os ensinamentos fazendo muito mal aos seus alunos”, alerta Zopa Norbu.

E essa abordagem de integração entre mestre e discípulo faz Norbu ter uma visão que não tem como foco principal a expansão das atividades do Jardim do Dharma, em forma de “filiais”. “Eu acredito mais no treinamento individual e no auto-aperfeiçoamento, não sou expansionista”, diz. “Minha linhagem é de mestres de meditação e de yogues solitários. Não acredito e desestimulo meus alunos a se misturarem com política, comércio, ou qualquer coisa que não seja o dharma”, aconselha o Lama.

O objetivo de todo esse cuidado que o Jardim do Dharma tem no trato da relação mestre/discípulo, de acordo com o Lama, é transformar o aluno para que este possa beneficiar a todos os seres, a começar pelos membros de sua própria família e trabalho. “Se ele não fizer isto, a sua prática do dharma é pura ilusão”, diz.


Ensinamentos no segundo semestre
Fruto de uma iniciativa do Lama Zopa Norbu e da professora Ângela Soci, de setembro a novembro de 2012 o Jardim do Dharma irá oferecer um curso com o renomado mestre de cerimônias do Mosteiro de Benchen, no Nepal, Lama Gyurme Thenpel. Trata-se de um ensinamento para todo e qualquer interessado em se aprofundar na rica tradição e cultura do Budismo Tibetano, conhecido por seus elaborados rituais com muitas cores e sons. Em breve, o Jardim do Dharma irá dar mais detalhes sobre as datas e custos para participar dos ensinamentos.



Dentre as atividades que serão ministradas pelo Lama Gyurme Thenpel está a elaboração de Tormas, e o uso adequado de certos instrumentos musicais, tais como Dung-chen, Kang-ling, Dung-kar e  Gyaling (saiba mais sobre cada um deles, abaixo).

Rituais
O Lama Zopa Norbu faz questão de lembrar que o ritual no budismo é uma forma de prover as circunstâncias para que nossos potenciais e nosso karma positivo amadureçam. Dessa forma, mestres como Kyabje Bokar Tulku Rimpoche e Kyabje Tenga Rimpoche, que estão diretamente ligados ao Jardim do Dharma, dão uma importância extraordinária ao aprendizado do ritual como peça fundamental para o desenvolvimento interno. “Se não plantamos boas sementes na terra de nosso continuum mental, nada crescerá ainda que todos os dias possamos regar esta terra”, ensina o Lama Zopa Norbu, para emendar que da mesma forma, “se não plantamos boas sementes karmicas de êxito em nosso comportamento, a puja em si mesma não terá nenhum poder de transformar a nossa vida”.

Zopa Norbu diz que quando combinamos a conduta ética com os rituais tradicionais, então chegamos à fórmula correta para ter êxito tanto no campo espiritual como na vida cotidiana. “Nada há de superstição neste enfoque. Aprender corretamente os rituais Vajrayana e a utilização dos seus instrumentos é peça fundamental para que possamos transformar nossa vida e nossa psique para o beneficio de todos os seres sencientes”, finaliza Norbu.

SAIBA MAIS
Torma
Em sua compaixão pelos seres sencientes, os Budas do passado e do presente deram ilimitadas práticas espirituais destinadas a ajudar os seres para por fim ao sofrimento e despertar para sua verdadeira natureza.

Estas práticas incluem uma série de potentes técnicas de meditação tântrica, que faz uso de elementos sagrados, como mandalas, formas de divindades de sabedoria, mantras, mudras (gestos) e substâncias sagradas como tormas

A torma representa a mente desperta do Buda e através de nossa conexão com ela a nossa própria mente de Buda pode ser despertada.



Cada torma tem a sua forma exata, proporção e a sua cor; surgem da mente de sabedoria dos Budas.  Portanto, a sua forma material sublime facilita a prática espiritual e a realização.

As tormas são comumente usadas pelos praticantes budistas tântricos, mas seus benefícios são dirigidos a qualquer pessoa que queira trazer esta energia iluminada dos Budas para seu ambiente.

É tradicionalmente reconhecido que quando se faz a prática espiritual com uma torma, as substâncias materiais que constituem a torma tornam-se extremamente potentes.

Por exemplo, no Tibete, quando alguém termina um retiro de três anos ou um retiro de uma prática intensiva, a torma que esteve no seu altar é considerada o receptáculo de todas as bênçãos emanadas pelos Budas.

Depois de concluídas as grandes pujas (cerimônias), as tormas que foram oferecidas às divindades são, depois, oferecidas para todos os participantes.  Comendo um pedacinho da mesma recebemos todo o caudal de benção.




Dung-chen
É o maior instrumento utilizado no ritual budista tibetano. Estes instrumentos medem geralmente, entre 2 e 3 m de comprimento, mas pode chegar a ter ate 4,5 m. O tubo telescópico é feito de cobre ou latão, e os instrumentos mais caros são decorados com gravuras espetaculares.



Este instrumento é encontrado freqüentemente nos Himalaia, - Tibete, Sikkin, Buthan etc.  e emite um som  extremamente baixo. Quando é utilizado nas montanhas produz um efeito de eco enorme.

O som muito baixo do Dung-chen, sem dúvida, tem uma influência sobre as condições fisiológicas e psicológicas do ser humano, especialmente nos conhecidos “chacras”, elevando o individuo para as energias cósmicas.


Kang-ling
Já a utilização do kang-ling, outro instrumento de sopro, é semelhante ao de trombeta. Originalmente, esse instrumento era feito de um fêmur de uma jovem que tinha sido, de preferência, morta virgem. Isso ocorre porque o som do kang-ling  simboliza a pureza, por isso o instrumento era para ser puro. Hoje, essas trombetas são feitas de metal. O kang-ling, normalmente usados em pares, intervém em trechos curtos para os rituais coléricos, que são realizados para a expulsão de demônios perturbadores da psique humana.



Dung-kar
É um instrumento de sopro ritual de origem indiana, feito de uma concha. Já conhecido na Índia durante a era védica (cerca de 1500 AC), tem sido usada desde então no folclore e na música sacra e militar. O Dung-kar  sempre foi considerado como um objeto sagrado. Na mitologia indiana, é conhecida como arma de Vishnu.


O Dung-kar  tem um timbre e um tom místico, e sua cavidade emite uma profunda vibração. Seu som simboliza pureza e devoção. Sua santidade é tão universal que é usado como um instrumento ritual da religião védica, o hinduísmo e o jainismo, bem como no Hinayana, Mahayana e no Budismo Tântrico.

Gyaling
É um parente próximo do oboé.  O instrumento é um tubo cônico de madeira com um funil de metal em uma extremidade e um tubo de metal com um bocal de duplo palheta na outra.

O tubo tem 7 furos no seu topo e um único furo na parte traseira. O gyaling, essencialmente, com a técnica de respiração chamada circular, que permite a emissão contínua de som sem ter que fazer uma pausa para respirar.

Melodias complexas podem ser reproduzidas neste instrumento musical, mas habilidade e tenacidade são exigidas.



Conseqüentemente, nenhum novato tem a confiança para tocar o gyaling. Na música ritual só pode ser utilizado em duplas, muitas vezes em conjunto com 2 Dung-chen ou como parte da orquestra do templo.

No campo da psique o som do tambor facilita a conexão de qualquer pessoa com o seu mundo interior e com todos os ritmos de seu corpo, produzindo um estado de relaxamento, de equilíbrio e ampliação de consciência, proporcionando assim uma conexão e harmonização com os ritmos planetários e cósmicos.

* Com informações do Jardim do Dharma